{"id":87,"date":"2015-03-14T15:58:31","date_gmt":"2015-03-14T15:58:31","guid":{"rendered":"https:\/\/cmfolclore.ufma.br\/?p=87"},"modified":"2015-03-14T15:58:31","modified_gmt":"2015-03-14T15:58:31","slug":"encantados-e-encantarias-do-tambor-de-mina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cmfolclore.ufma.br\/index.php\/encantados-e-encantarias-do-tambor-de-mina\/","title":{"rendered":"Encantados e Encantarias do Tambor de Mina"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/cmfolclore.ufma.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cmfolclore3.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-88\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cmfolclore.ufma.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cmfolclore3.jpg?resize=640%2C359&#038;ssl=1\" alt=\"cmfolclore3\" width=\"640\" height=\"359\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cmfolclore.ufma.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cmfolclore3.jpg?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/cmfolclore.ufma.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cmfolclore3.jpg?resize=300%2C168&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No Maranh\u00e3o o termo encantado \u00e9 usado nos terreiros de mina, tanto nos fundados por africanos quanto nos mais novos e sincr\u00e9ticos, e nos sal\u00f5es de curadores ou paj\u00e9s. Refere-se a uma categoria de seres espirituais recebidos em transe medi\u00fanico, que n\u00e3o podem ser observados diretamente ou que se acredita poderem ser vistos, ouvidos ou sentidos em sonho, ou em vig\u00edlia por pessoas dotadas de vid\u00eancia, mediunidade ou de percep\u00e7\u00e3o extra-sensorial, como alguns preferem denominar. S\u00e3o voduns, gentis (nobres) caboclos e \u00edndios que moram em encantarias africanas ou brasileiras e que incorporam em filhos-de-santo. Apesar de totalmente invis\u00edveis para a maioria das pessoas, os encantados tomam- se \u201cvis\u00edveis\u201d quando os m\u00e9diuns em quem incorporam manifestam altera\u00e7\u00f5es de consci\u00eancia e assumem outra identidade, a de um determinado encantado, o que geralmente ocorre durante a realiza\u00e7\u00e3o de rituais. Esses encantados apresentam-se geralmente \u00e0 comunidade religiosa como algu\u00e9m que teve vida terrena h\u00e1 muitos anos e desapareceu misteriosamente, tornando-se invis\u00edvel, ou como seres que nunca tiveram mat\u00e9ria, mas podem tamb\u00e9m se comunicar com as pessoas incorporando em m\u00e9diuns. Os encantados n\u00e3o s\u00e3o considerados esp\u00edritos de mortos, como os \u201ceguns\u201d do candombl\u00e9 e os esp\u00edritos que se comunicam com as pessoas em centros esp\u00edritas e em se\u00e7\u00f5es de mesa branca, nem mesmo quando se acredita que tiveram vida terrena. Pertencem a outra categoria de seres espirituais43.<\/p>\n<p>Os encantados da mina s\u00e3o freq\u00fcentemente comparados aos \u201canjos de guarda\u201d entidades muito conhecidas no catolicismo popular. S\u00e3o protetores dos homens dotados de poderes especiais que est\u00e3o \u201cabaixo de Deus e dos santos\u201d (m\u00e1rtires e outros), mas, ao contr\u00e1rio dos anjos de guarda, podem castigar severamente seus protegidos, como narrado em casos registrados por n\u00f3s no livro \u201cMaranh\u00e3o Encantado: encantaria maranhense e outras hist\u00f3rias\u201d (FERRETTI, M. 2000, p.97). Afirma-se em S\u00e3o Lu\u00eds que os encantados nunca levam propriamente as pessoas ao mal, embora possam lev\u00e1-las a certos comportamentos desaprovados socialmente, pois, segundo a mitologia, muitos s\u00e3o alco\u00f3latras, violentos, irreverentes como os da fam\u00edlia de L\u00e9gua Boji \u2013 entidade controvertida que para uns \u00e9 um caboclo, filho adotivo ou afilhado de Dom Pedro Angassu (classificado como vodum ou gentil \u2013 nobre associado a orix\u00e1), para outros \u00e9 um vodum cambinda e h\u00e1 quem afirme que ele \u00e9 o poderoso L\u00e9gba da cultura daomeana (jeje), que corresponde ao Exu da cultura ioruba (nag\u00f4). Em alguns terreiros da capital maranhense, as entidades espirituais n\u00e3o africanas ou caboclas mais antigas s\u00e3o denominadas\u00b7\u201dvodunsos\u201d, como ocorre no Terreiro F\u00e9 em Deus, de M\u00e3e Elzita, onde Caboclo Velho, entidade por ela recebida, tamb\u00e9m conhecida por Sapequara, o que atesta a influencia da Casa das Minas &#8211; terreiro jeje fundado na primeira metade do s\u00e9culo XIX \u2013 em outros terreiros. Mas, de modo geral as entidades da mitologia ind\u00edgena brasileiras como o Curupira, ou da mitologia cabocla, como a M\u00e3e d\u00b4\u00c1gua, n\u00e3o s\u00e3o denominadas \u201cvoduns\u201d. Afirma-se que, no passado, essas entidades brasileiras n\u00e3o eram conhecidas em terreiros de mina de S\u00e3o Lu\u00eds. Eram recebidas por paj\u00e9s e curadores e s\u00f3 entraram quando estes, fugindo de persegui\u00e7\u00f5es policiais, pois o curandeirismo era e ainda \u00e9 crime contra a sa\u00fade p\u00fablica no C\u00f3digo Penal Brasileiro, passaram a abrir terreiros de mina.<\/p>\n<p>A RELA\u00c7\u00c3O DO BUMBA-MEU-BOI COM ENCANTADOS NO MARANH\u00c3O44 Embora o Bumba-boi seja classificado como folguedo profano, sua rela\u00e7\u00e3o com santos cat\u00f3licos \u00e9 bastante conhecida. Em S\u00e3o Lu\u00eds, S\u00e3o Jo\u00e3o, S\u00e3o Pedro, S\u00e3o Mar\u00e7al, e Santo Antonio, festejados no per\u00edodo junino, s\u00e3o muito ligados ao Boi. Muitos grupos de Boi que hoje se apresentam nos arraiais e adotaram &#8230; <a title=\"Boletins anteriores a 2015\" href=\"https:\/\/cmfolclore.ufma.br\/index.php\/boletins-anteriores-a-2015\/\">LEIA MAIS NO BOLETIM 42<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Maranh\u00e3o o termo encantado \u00e9 usado nos terreiros de mina, tanto nos fundados por africanos quanto nos mais novos e sincr\u00e9ticos, e nos sal\u00f5es de curadores ou paj\u00e9s. Refere-se a uma categoria de seres espirituais recebidos em transe medi\u00fanico, que n\u00e3o podem ser observados diretamente ou que se acredita poderem ser vistos, ouvidos ou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":88,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-87","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-slides"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/cmfolclore.ufma.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cmfolclore3.jpg?fit=1024%2C574&ssl=1","jetpack-related-posts":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cmfolclore.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cmfolclore.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cmfolclore.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cmfolclore.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cmfolclore.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=87"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cmfolclore.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":89,"href":"https:\/\/cmfolclore.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/87\/revisions\/89"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cmfolclore.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/88"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cmfolclore.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=87"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cmfolclore.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=87"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cmfolclore.ufma.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=87"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}